Estudos sobre a Coenzima Q10

Coenzima Q10 e o desempenho esportivo

A coenzima Q10 (CoQ10 ou ubiquinona) é um composto natural com propriedades similares às das vitaminas lipossolúveis, porém, não pode ser considerada uma vitamina, por ser sintetizada no organismo. É essencial em processos biológicos relacionados com a geração de energia no tecido muscular esquelético em resposta à contração, principalmente, em atividades de caráter aeróbio, ou seja, de moderada/baixa intensidade e longa duração (ciclismo, corrida, triátlon etc.). Além disso,  a CoQ10 possui um potencial papel antioxidante. Razões que fazem dessa coenzima um composto de grande interesse tanto na prática clínica quanto no âmbito esportivo (1,2).

A literatura é limitada no que diz respeito a dados sobre o metabolismo de CoQ10 em humanos. De modo geral, a CoQ10 tem papel fundamental na geração de energia celular, pois atua como um cofator na cadeia de transporte de elétrons mitocondrial sendo, portanto, essencial para a produção de ATP.O papel antioxidante da CoQ10 está na sua participação na remoção de elétrons e prótons da cadeia respiratória, e na regeneração de outros antioxidantes como vitamina E e vitamina C (2).

Alguns estudos, em humanos, demonstram os benefícios da suplementação de CoQ10 em associação com o exercício aeróbio (3). Um dos estudos mais recentes e bem controlados desse tipo foi realizado no ano de 2008 e demonstra que os efeitos podem ser observados tanto de modo agudo (1 dose) quanto crônico (semanas). Ambos estão relacionados com a concentração sanguínea de CoQ10 que se reflete diretamente na concentração muscular desse composto (4). Ou seja, seu aumento sanguíneo é proporcional ao aumento observado no músculo esquelético. Em termos práticos, os efeitos esportivos mais comumente observados nos estudos estão relacionados com o consumo máximo de oxigênio, o tempo de exaustão e a fadiga muscular.

Além dos efeitos ergogênicos, a CoQ10 também apresenta efeitos terapêuticos de impacto. Cardiopatas são os pacientes mais beneficiados, por conta da melhora da função endotelial. Isso se deve, em parte, à baixa expressão e atividade que estes pacientes apresentam de uma enzima antioxidante chamada ecSOD, que protege os vasos contra o dano oxidativo. A suplementação de CoQ10 pode aumentar tanto a expressão como a atividade dessa enzima, que podem se refletir em resultados clínicos (5).

A literatura ainda não dispõe de estudos dose-resposta acerca da suplementação de CoQ10, tanto no âmbito esportivo quanto terapêutico. Por hora, sabe-se que o interessante é aumentar a concentração sanguínea de CoQ10 para que isso se reflita nos tecidos periféricos (músculos) (3).  Portanto, indivíduos com baixa concentração plasmática de Q10 (fisicamente ativos ou não) são aqueles que tendem a ser os mais responsivos à suplementação. Sendo assim, a dose recomendada de consumo baseia-se nas evidências científicas que demonstram benefícios e segurança. Os estudos mostrando efeitos ergogênicos e terapêuticos utilizaram a dose de 200 mg/dia, consumida em 2 doses de 100 mg. Essa dosagem é capaz de elevar em cerca de 2,5 vezes a concentração plasmática (4,5).

Lembrando que toda conduta nutricional visando desempenho esportivo ou resultados clínicos deve ser acompanhada por um profissional nutricionista para que este avalie as reais necessidades de suplementação, dose, momento de consumo e, principalmente, a adequação dietética. Isso vale também para a suplementação de CoQ10. Com a orientação correta, você poderá obter o máximo de benefícios desse importante composto.

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Referências

1. Potgieter M, Pretorius E, Pepper MS. Primary and secondary coenzyme Q10 deficiency: the role of therapeutic supplementation. Nutrition reviews. 2013;71(3):180-8. Epub 2013/03/05.
2. Bhagavan HN, Chopra RK. Coenzyme Q10: absorption, tissue uptake, metabolism and pharmacokinetics. Free radical research. 2006;40(5):445-53. Epub 2006/03/23.
3. Littarru GP, Tiano L. Clinical aspects of coenzyme Q10: an update. Nutrition. 2010;26(3):250-4. Epub 2009/11/26.
4. Cooke M, Iosia M, Buford T, Shelmadine B, Hudson G, Kerksick C, et al. Effects of acute and 14-day coenzyme Q10 supplementation on exercise performance in both trained and untrained individuals. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2008;5:8. Epub 2008/03/06.
5. Belardinelli R, Mucaj A, Lacalaprice F, Solenghi M, Seddaiu G, Principi F, et al. Coenzyme Q10 and exercise training in chronic heart failure. European heart journal. 2006;27(22):2675-81. Epub 2006/08/03.

Humberto Nicastro é graduado em Nutrição. Pesquisador da área de Nutrição Esportiva. Consultor Científico da Empresa Integral Medica Suplementos Nutricionais. Atua na área de nutrição com ênfase em nutrição esportiva e suplementação nutricional para atletas e esportistas.Texto originalmente publicado no www.integralmedica.com.br

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